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Viciados em emoção

Postado dia 19/08/2019
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Temos nossas expectativas em relação ao mundo externo. Quanto mais experiências temos em nossas vidas, mais elas nos servem como um modelo de como o mundo externo se comporta à nossa volta, dando ênfase para uma realidade fictícia de que o mundo externo é uma realidade em separado de nosso Eu Interno.

Qualquer informação que processamos no ambiente sempre é intensificada pelas experiências já vividas por nós e, principalmente por uma resposta emocional associada àquilo que vivenciamos.

Os neurônios possuem ramificações para se conectarem e formarem uma rede neural. Cada área conectada está integrada a um pensamento ou memória. O cérebro constrói todos os conceitos através de memórias associativas. Ou seja, pensamentos, ideias, emoções e sentimentos são elaborados e interconectados nessa rede neural e possivelmente todos estão relacionados entre si.

Por exemplo, o conceito de “amor”, está retido nessa rede neural, mas estabelecemos este conceito a partir de muitas outras diferentes idéias.

Um indivíduo pode ligar o amor à decepção, desta forma, quando pensar em amor, provavelmente experimentará uma ideia de dor, sofrimento, cólera e até ódio. Esta autoafirmação negativa pode estar ligada a uma pessoa, ou acontecimento específico, que remete a interconexão do “amor”.

Toda emoção é química

Sabe-se que as células nervosas que disparam juntas, ficam interconectadas.

Se praticarmos repetidamente sempre os mesmos conceitos mentais, sentimentos e emoções, essas células terão um relacionamento longo, ou seja, se você diariamente ficar com raiva, sofrer, ou cultivar um “sentimento de vítima” em sua vida, estará re-conectando e reintegrando a rede neural constantemente, criando um relacionamento de longo prazo com todas as outras células nervosas, criando uma “identidade”.

Isso significa dizer que as emoções são utilizadas para reforçar quimicamente algo, a longo prazo, em nossa memória. Toda emoção é química. A industria farmacêutica mais sofisticada do universo está em nosso cérebro.

Os diferentes estados emocionais que sentimos a cada segundo estão associados aos peptídeos e neuro-hormônios específicos. Sendo assim, há químicos para raiva, outros para tristeza, outros para sentimento de vítima, para desejo, para o amor, para a felicidade, ou seja, há substâncias químicas para combinar com todos os estados emocionais que experimentarmos todos os dias.

Quando elaboramos uma emoção qualquer, o hipotálamo automaticamente fabrica aquele peptídeo específico e o libertará através da glândula pituitária diretamente na corrente sanguínea. No momento que entra na corrente sanguínea, ele acha seu caminho para diferentes centros e diferentes partes do corpo. O peptídeo se conecta na célula através de seus receptores, uma célula pode ter bilhões de receptores em sua superfície, a função dos receptores é receber informações que são direcionadas ao interior da célula.

Um receptor que tem um peptídeo acoplado a ele muda a célula de várias maneiras. Ele desencadeia uma série de eventos bioquímicos, alguns dos quais podem até alterar o núcleo da célula. A partir deste breve entendimento de como a célula interage com os nossos sentimentos e com as nossas emoções, podemos afirmar que todos nós somos viciados nas substâncias químicas produzidas pelo hipotálamo.

Não conseguimos equilibrar o nosso estado emocional pelo simples fato de estar “viciado” nele, na substância química que é produzida pelo cérebro relacionada a emoção que repetidamente criamos em decorrência de uma situação. Buscamos inconscientemente circunstâncias que vão suprir os desejos bioquímicos das células do nosso corpo criando situações que satisfaçam nossas necessidades químicas.

O que acontece na maturidade é que a maioria de nós que teve dificuldades ao longo do caminho, está vivendo de um modo emocionalmente desligado ou está vivendo como se hoje fosse ontem. Tanto no momento emocionalmente desconectado como no modo emocionalmente super excitado, pois eles remetem a um tempo anterior na realidade, a pessoa não está vivendo como um todo integrado.

Nós somos as emoções que exteriorizamos, não existe a possibilidade de nos separarmos delas, todos nós estamos constantemente sob a influência das moléculas da emoção, e isso é muito bom, na verdade as emoções são a vida, pois são elas que intensificam e classificam as nossas experiências. O fato de estarmos viciados em emoções é algo bioquímico, não apenas psicológico.

Para se ter uma ideia, os mesmos receptores celulares utilizados para as emoções, são utilizados para a heroína. Podemos nos viciar em qualquer peptídeo natural, em qualquer emoção, pois não observamos nada à nossa volta sem utilizarmos o aspecto emocional.

Se conseguirmos mudar os nossos pensamentos, nossas ideias irão mudar, as nossas ideias mudando, mudarão as nossas escolhas, mudando as nossas escolhas, mudarão os resultados, transformaremos a nossa vida, romperemos os nossos vícios internos, criaremos novas possibilidades, novas realidades, aprimoraremos o nosso entendimento do que com o que estamos lidando, internamente e externamente.

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*Por Jussara Strugale

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