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Liderança feminina: qual é o cenário dentro das organizações?

Postado dia 04/03/2021
Continue Lendo Vieses Inconscientes: como interferem nas organizações?

Historicamente, a liderança tem sido apontada como um papel masculino. Com o passar dos anos e com as novas exigências sociais, a mulher foi conquistando espaço no mercado de trabalho e junto se configurou também a liderança feminina.

As mulheres possuem diversas características e habilidades, representando a maior proporção de formados no ensino superior. Contudo, em cargos de direção elas representam apenas 7%, além de receberem 29% a menos que os homens para executarem as mesmas funções, de acordo com uma pesquisa do IBGE.

Na prática, isso significa que os homens estão no comando, detendo poder para direcionar as regras e os caminhos a serem seguidos de acordo com seu modelo de mundo, valores, qualidades e energia masculinas. 

Analisando esse cenário em que prevalece a cultura do patriarcado que sobrepôs a história por muitos anos, a Organização das Nações Unidas (ONU), incluiu como terceiro Objetivo do Desenvolvimento do Milênio (ODMs) “Promover a igualdade de gênero e a autonomia das mulheres”. 

São naturais os pensamentos de incapacidade e insegurança que ainda pairam na cabeça das mulheres, já que fazem parte de uma cultura de mais de 6 mil anos, onde prevalecem as características do masculino, como competição e racionalidade, nos contextos de liderança.

Poucas pessoas têm consciência de que as qualidades femininas estão presentes tanto nos homens quanto nas mulheres. Empatia, inteligência emocional e espírito colaborativo, são alguns dos exemplos de características femininas que são cada vez mais exigidas no mercado de trabalho e que poderiam ser desenvolvidas com essa troca mais ativa entre homens e mulheres no âmbito corporativo.

Por isso, a ONU defende a ideia de que a igualdade de gênero é uma questão de humanidade. É para proporcionar um mundo mais equilibrado, justo, mais inclusivo e menos segregador. As mulheres não pretendem retirar os homens do poder, mas sim dividir esse poder com eles para que toda a sociedade possa compartilhar os benefícios. 

No mundo corporativo, ainda estamos no caminho de equilibrar as diferenças entre os gêneros. A herança histórica é desigual, por isso políticas afirmativas que diminuam essa discrepância são parte da solução.

Nesse sentido, o Fórum Econômico Mundial aponta o Brasil na 90ª colocação do ranking sobre igualdade entre homens e mulheres. Dentre os 144 países, somos o terceiro da América Latina com a pior colocação. Atrás do Paraguai e Guatemala – 96ª e 110ª posições respectivamente.

Mas, afinal, qual a importância das mulheres em cargos de liderança?

Segundo os dados divulgados em 2017 da pesquisa global Women in Business, 25%  dos cargos de CEOs de empresas internacionais são ocupados por mulheres. No Brasil, são 16%. A pesquisa ouviu mais de 5 mil executivos das 36 principais economias mundiais.

Ao longo da história da humanidade, assistimos a um estereótipo de liderança caracterizado por pessoas fortes, diretivas e decidida, geralmente conectado à masculinidade. Apesar das mulheres terem conquistado um maior acesso aos cargos de chefia, continuam bastante raras como líderes.

O olhar das organizações sobre as competências das mulheres muitas vezes ainda é de desconfiança, pois elas precisam se esforçar dobrado para conseguir o mesmo resultado que os homens ou que merecem estar naquele cargo ou função.  

É muito provável que características femininas, tais como cooperação e colaboração, sejam tão ou mais importantes quando comparadas às masculinas, principalmente em ambientes organizacionais contemporâneos em que a qualidade do relacionamento humano é altamente valorizada. 

Evidentemente, a conquista da mulher a cargos de liderança advém de uma série de fatores externos e internos. 

Talvez você esteja se perguntando: Por que ainda temos tão poucas mulheres em cargos de liderança? 

Isso tem a ver com fatores externos e internos. Os externos são a cultura que cria vieses. Inconscientemente você pensa que homens são mais fortes para liderar, que maternidade e carreira não combinam. Nesse cenário, até as próprias mulheres evitam dar o próximo passo com medo de que ela não consiga conciliar todas as coisas.  

Já os fatores internos, tem a ver com pensamentos da própria mulher. Sendo assim, um ponto que deve ser trabalhado é a questão da autoestima e da confiança para enfrentar e embarcar em novos desafios. 

Um exemplo de situação que prova que as mulheres são mais inseguras que os homens é quando estão em um processo seletivo. A mulher tem que ter todos os requisitos para se candidatar a uma vaga. Enquanto o homem, quando se enquadra em alguns, já se considera elegível, pensa que se não sabe, vai aprender.

Qual é o cenário nas organizações e a importância de incluir os homens? 

Dentro dessa cultura do patriarcado criamos algumas crenças que parecem não ter tanto valor, todavia, na hora da tomada de decisão estão no nosso inconsciente. 

Crenças como a que a mulher é mais apta para exercer profissões de cuidado como psicologia, enfermagem, filosofia está muito enviesado nas empresas e nas mulheres. 

É claro que a complexidade de papeis é bem desafiadora, porém isso deve valer para o homem também. Nas empresas e dentro de casa, homens e mulheres precisam se apoiar.  Esses preconceitos estão na cabeça de ambos. 

Novas regras do mundo nos negócios buscam as habilidades mais competitivas do mercado de trabalho. Um bom exemplo desse cenário são empresas que possuem mulheres em cargos de gestão. Segundo a OIT (Organização Internacional do Trabalho), a presença de mulheres nos cargos mais altos traz efeitos positivos para a receita, a criatividade e a produtividade das organizações. 

As mudanças causadas pela participação feminina na esfera administrativa dos negócios vão além das questões relacionadas à liderança. Representa também a realização pessoal, que a torna capaz de realizar a si mesma e contribuir com a sociedade.

Portanto, você não precisa ser líder, mas você pode escolher ser. Por que você tem e poderá construir condições plenas para o exercício desse papel. 

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