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Como andam suas emoções?

Postado dia 20/03/2020
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Por Tiago Cesário.

Recentemente escrevi um artigo apresentando de forma bastante simplória e resumida a ideia desenvolvida por António Damásio sobre como as emoções influenciam a nossa tomada de decisão e como a sua ausência nos torna menos racionais. Link no final do texto.

Muito bem, este momento de crise nos serve para colocarmos à luz conceitos com dados de realidade.

Em momentos assim, somos obrigados a tomar uma série de decisões, que talvez não estivéssemos preparados para tomar, ou diante de situações para as quais ainda não sabemos exatamente como lidar.

“Libero o pessoal para home office? E como vou fazer para geri-los? E as crianças? Levo ou não levo para a escola? Peço ajuda dos avós? Será que a grana que tenho dá pra passar esse período? E aquele trabalho cancelado? E a decisão sobre a promoção que já estava tudo certo?”

São muitas dúvidas, muitas perguntas, muitas incertezas.

Pelo que percebo em mim mesmo e nas pessoas à minha volta são duas as emoções que parecem estar mais presentes: o medo e a raiva.

O medo de tudo o que pode dar errado, desde a contaminação pelo vírus, a doença e até a morte (se não a própria, a de alguém próximo), até o medo da falência, ou de ser desligado, ou de não dar conta do trabalho, da equipe, de não ser promovido, isso tudo trabalhando de casa e com a criançada querendo atenção!

Como explica Damásio, quando estamos diante de uma situação de escolha nosso cérebro se vale de todo o seu repertório para tomar a melhor decisão, e todas nossas experiências contém marcadores que trazem com eles uma emoção, portanto todas nossas decisões carregam consigo uma, ou várias, emoções.

O medo é uma emoção que nos faz ficar alertas e atentos às possíveis ameaças que se apresentam, ele é vital para nossa sobrevivência e nos ajuda a não tomar decisões “impensadas”. Porém, ele pode também nos paralisar, ou quando não consciente e gerenciado, pode nos fazer tomar decisões precipitadas e exageradas perante a real ameaça que se apresenta.

Daniel Kanheman (Rápido Devagar – duas formas de pensar) introduz uma ideia brilhante, a de que nosso cérebro na busca por economizar energia substitui perguntas! Diz ele que quando diante de uma situação complexa que exige muito esforço e análise como por exemplo: “o que fazer para passar esse momento de crise sem torrar toda a minha grana?” Nosso cérebro como num passe de mágica a substitui por uma do tipo: “do que eu não gosto, ou não estou afim de fazer?” Rapidamente aquele curso que se arrasta, ou que você ainda nem começou, mas que se matriculou porque “tinha” que fazer vem à mente e essa é a oportunidade perfeita para se livrar do que lhe é desagradável. Mais uma vez reafirmando a forte influência que as emoções têm na nossa tomada de decisão.

Isso não quer dizer necessariamente que a decisão esteja errada, mas caso uma emoção esteja atuando ali, corremos o risco desta decisão ser apenas a que irá aliviar o que estou sentindo e não necessariamente resolver a questão.

Já a raiva aparece nas situações em nos sentimos injustiçados. “Justo agora que ia fechar esse negócio!” “Justo agora que eu ia viajar!” “Justo agora que eu ia assumir aquele cargo!”

Como o medo, a raiva pode ter um lado positivo. Ela é a energia que pode nos levar a fazer algo para mudar uma situação e a buscar alternativas. Porém, quando sem a consciência e o autocontrole, bem… acho que todos nós já passamos por isso! Podemos dizer o que não gostaríamos, talvez para a pessoa errada, na hora errada e da maneira mais errada possível. Isso quando só falamos…

Podemos tomar decisões que nos levem a nos sentirmos “vingados”, mas como no medo, que não necessariamente resolvem a questão.

Em um caso ou em outro é importante primeiro reconhecer qual a emoção, o sentimento e o que o está te levando a se sentir assim. Quais são os pensamentos que lhe vem à cabeça? Quais são suas preocupações, riscos e ameaças? Qual foi a injustiça cometida contra você? Para depois pensar em estratégias de como lidar melhor com essa situação, primeiro com você mesmo e depois com os outros, e que isso te leve a tomar decisões mais acertadas.

É um momento em que precisamos estar atentos e conscientes do que estamos sentindo e como estamos nos relacionando. Estamos todos em um momento de maior vulnerabilidade e principalmente como líderes, nossas ações e decisões podem afetar as pessoas à nossa volta, amplificando ou diminuindo essa sensação.

Quando os primeiros cancelamentos de trabalho surgiram, confesso que o sentimento que mais me tomou foi a raiva. Não é fácil, principalmente para quem gosta do que faz e que depende financeiramente do trabalho, ser impedido de trabalhar. É claro que entendo e concordo com as decisões tomadas, e entendê-las me ajuda a gerenciar essa emoção, além disso tenho cuidado do que penso e me esforçando para usar essa energia da maneira mais produtiva possível.

Boas escolhas.

Link do artigo citado: Emoção X Razão na hora de decidir  aqui

 

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